Maria Campina no concerto no “Monumental” de Loulé (8 de agosto de 1935)

Maria Campina liderando a Comissão Pró-Conservatório, acompanhada pelos elementos da casa do Algarve, ao Ministério da Educação. Reconhecem-se o ministro da tutela Veiga Simão, Dr. Maurício Monteiro, Engº Sande Lemos, Drª Mariana Machado Santos e Henrique Neves Franco (6 de março de 1970).

Criado oficialmente em 12 de novembro de 1973, por iniciativa de Maria Campina, o Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, a quem foi atribuído o alvará n.º 2081, é uma escola de ensino especializado de Música e Dança, de referência na região, que agrega cerca de 400 alunos e um distinto corpo docente.

Em reconhecimento pelo serviço prestado à comunidade, a Secretaria de Estado da Cultura distinguiu o Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, em 21 de setembro de 1988, com a Medalha de Mérito Cultural.

No dia 7 de setembro de 2004, foi agraciado pela Câmara Municipal de Faro, com a Medalha de Mérito Municipal - Grau Ouro.



"Maria Campina,
a louletana que pôs
Salzburgo de pé."

 

Maria Campina de Sousa Pereira nasceu em Loulé, em 18 de Janeiro de 1914. Esta pianista, uma das mais talentosas da Europa de todos os tempos, concluiu o seu curso superior de piano do Conservatório Nacional, onde foi aluna de grandes mestres, entre os quais os extraordinários maestros portugueses Varela Cid e Luís de Freitas Branco, em 1935, com a classificação de 20 valores. Enquanto frequentou aquele Conservatório, Maria Campina foi premiada com todos os galardões para os melhores alunos, incluindo o 1º prémio do Conservatório Nacional, nunca alcançado por qualquer outro aluno daquele estabelecimento de ensino. Estreou-se em Lisboa naquele mesmo ano, num concerto na Casa do Algarve e fez questão de que o segundo fosse dado na sua terra natal, pouco tempo depois, no dia 8 de Agosto. Todo o país fazia, então, questão em escutar aquela jovem e bonita pianista, louvando-lhe a capacidade interpretativa, a técnica e, especialmente, a sua extraordinária sensibilidade artística e emocional. Em 1939, com 25 anos, já casada, Maria Campina começou a leccionar como professora de piano num colégio de Lisboa. Vivia a pianista em Loures e, como nesses tempos, os automóveis eram um luxo de gente muito rica, Maria Campina tinha de se deslocar na sua pesada bicicleta a pedal. É nessa época que Maria Campina ganha consolidação da sua carreira.

 

A Emissora Nacional tinha dois serviços e a estação de “Lisboa 2”, com uma programação cultural e científica, emitia, diariamente, concertos de música clássica e ópera. Além disso, a estação tinha a sua própria Orquestra Sinfónica, de grande nível. Maria Campina não tinha mãos a medir, quer em récitas individuais, quer integrada ou como solista da Orquestra Sinfónica, que, tal como a outra orquestra da estação oficial, a Orquestra Ligeira, percorria o país de lés a lés, numa descentralização que hoje deixaria surpreendido o mais insistente defensor da cultura descentralizada. Mas a pianista não se limitava a dar vida às partituras dos grandes compositores, escrevia também para os jornais, proferia conferências, interessava-se pela vida cultural do país. Em 1949, Maria Campina decidiu participar num concurso internacional na Áustria, pátria de grandes músicos e intérpretes. No Mozarteum de Salzburgo, iria ombrear com quinze dos maiores pianistas mundiais do seu tempo. Interpretou obras de Mozart e de Johan Sebastian Bach e o júri, por unanimidade, o que raramente se voltou a repetir, declarou-a vencedora. É o reconhecimento internacional da grande dama do piano. Toda a Europa, América do Sul e África puderam, então, escutar a magia das suas interpretações.

 

Maria Campina criou, por essa altura, na Academia de Música do Funchal, a disciplina de Iniciação Musical, mostrando, deste modo, a sua sensibilidade pedagógica e visão para as carências educativas da escola, em Portugal. Já em Lisboa, alguns anos mais tarde, em 1962, a pianista algarvia abraçava convictamente a ideia da criação de um conservatório na região do Algarve, que outros antes haviam lançado mas a que, à boa maneira das nossas cabeças pensantes, ninguém pusera em prática. Durante dez anos, Maria Campina não esmoreceu, numa luta constante contra o imobilismo das instituições, a descrença dos poderes constituídos e a indiferença de quem tinha a obrigação de ser entusiasta e promotor. Em 1972, Maria Campina pôde, finalmente, ainda em casa emprestada, receber os primeiros alunos do «seu» Conservatório Regional do Algarve. Durante os doze anos que se seguiram, a pianista louletana pôde dar largas ao seu sonho, formando crianças e jovens algarvios. Cheia de paciência, a grande mestra que o mundo apreciara como intérprete musical, consagrou, então, a sua vida à tarefa de ensinar solfejo, de desenhar claves de sol, de colocar as mãos sobre o teclado, tocar as escalas e acordes, ou a encontrar a posição da coluna quando se está sentado perante um teclado. Galardoada, em 1979, com o grau de Comendador da Ordem de Instrução Pública, Maria Campina empenhava-se, então, com o seu marido, Pedro Ruivo, em conseguir apoios para a construção de uma escola de raiz, enquanto «fornadas» de jovens lhe iam passando pelas mãos delicadas. Maria Campina faleceu em 27 de Fevereiro de 1984 e seria o seu marido quem veria, finalmente, concretizado o seu sonho: o excelente edifício que alberga hoje o Conservatório Regional Maria Campina, de que todos os algarvios se podem orgulhar.


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