Natural de Aveiro, Tiago Matias finalizou em 2002 o Curso Complementar de Guitarra Clássica no Conservatório de Música de Aveiro Calouste Gulbenkian, obtendo a classificação de 20 valores no exame final de guitarra. Concluiu em 2005 a licenciatura em Guitarra na Escola Superior de Música de Lisboa. Foi galardoado em vários concursos de guitarra, destacando-se entre eles o 1º prémio no “Música en Compostela” (Santiago de Compostela, 2004) e o 3º prémio no Concurso Legato (Porto, 2000).
Colabora regularmente com os agrupamentos “Orquestra Sinfónica Portuguesa”, “Ludovice Ensemble”, “Segréis de Lisboa”, “Sete Lágrimas”, “Orquestra Barroca da Casa da Música” e “Divino Sospiro”, entre outros.
Gravou 18 discos com alguns destes grupos e tocou nas melhores salas de concerto e festivais de música de todo o mundo. Em 2012, com Filipe Faria, fundou o ensemble de música antiga “Noa Noa”, com o qual edita 4 discos.
Em 2021 gravou e editou o primeiro disco a solo, “Cifras de Viola”, com obras inéditas portuguesas para viola, ou guitarra barroca. O disco foi um dos 4 nomeados para os Prémios Play na categoria de melhor álbum de música clássica/erudita nesse ano. Em 2023 gravou e editou “Sospiro”, para viola de mão (vihuela), com transcrições e arranjos de música renascentista portuguesa. No mesmo ano edita o livro homónimo com as tablaturas e partituras das obras gravadas em disco. “Fantasia”, composto por música contemporânea para tiorba solo a si dedicada composta por 5 compositores portugueses é editado em 2024. A música gravada é editada em livro no mesmo ano. “Fantasia” é a primeira gravação a nível mundial integralmente composta por música contemporânea para tiorba solo. Ainda em 2024, edita “Cordovil”, dedicado à obra integral de José Ferreira Cordovil (c. 1687-1761) para guitarra barroca, naquela que é a primeira gravação mundial deste repertório. Paralelamente com o disco edita o livro com as transcrições do repertório gravado. Em 2025 grava e edita “Sombras”, o 5º disco a solo, com a obra integral inédita para guitarra barroca de António Marques Lésbio (1639-1709).
Na temporada 2025/2026 realiza a sua primeira digressão mundial a solo, com 26 concertos em 12 países.
Como pedagogo, orientou masterclasses de alaúde e guitarra. Leccionou as mesmas disciplinas no Conservatório de Música de Aveiro Calouste Gulbenkian e Conservatório Nacional (Lisboa). Foi director do Quartel das Artes (Oliveira do Bairro) entre 2018 e 2024. É investigador do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos e doutorando em Estudos Artísticos na Universidade de Coimbra.
Notas de programa
O presente concerto propõe um diálogo entre o repertório do manuscrito Cifras
de Viola – Manuscrito Musical 97 da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra [P-
Cug MM 97], copiado no início do século XVIII em Portugal por Joseph Carneyro
Tavares Lamecense – e a música europeia dos séculos XVII, XVIII e XIX para guitarra
barroca e guitarra romântica.
O manuscrito de Tavares Lamecense representa a mais extensa coletânea ibérica
conhecida para um único instrumento até ao século XVIII, no caso, a guitarra barroca,
ou viola, como era conhecida em Portugal.
Neste programa, géneros característicos do manuscrito português – como
Cumbe, Fantasia, Alemanda, Capona, Rojão e Sarambeque – compostos por nomes
como Sylva, Abreu, Licete, Cordovil e Marques, estabelecem pontes com formas
musicais amplamente difundidas na Europa do mesmo período. Estas peças dialogam
com Prelúdios, Ciacconas, Folias e Fandangos de compositores como Robert de Visée,
Francesco Corbetta, Gaspar Sanz e Santiago de Murcia – figuras centrais do repertório
para guitarra barroca, cuja influência permanece viva até hoje.
Atravessando as transições estilísticas e técnicas do instrumento, o programa
estende-se até ao século XIX, culminando no universo romântico de Fernando Sor,
Johann Kaspar Mertz e Francisco Tárrega – três dos mais importantes guitarristas e
compositores europeus, cuja obra marca a consolidação da guitarra romântica como
instrumento solista de grande expressão.
Este percurso musical, que atravessa três séculos de criação, evidencia a riqueza
e diversidade do repertório para guitarra na Península Ibérica e na Europa, celebrando
encontros sonoros entre tradição e inovação, entre o familiar e o inesperado.