Criado oficialmente em 12 de novembro de 1973, por inciativa de Maria Campina, o Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, a quem foi atribuído o alvará n.º 2081, é uma escola de ensino especializado de Música e Dança, de referência na região, que agrega cerca de 400 alunos e um distinto corpo docente.

Em reconhecimento pelo serviço prestado à comunidade, a Secretaria de Estado da Cultura distinguiu o Conservatório Regional do Algarve Maria Campina, em 21 de setembro de 1988, com a Medalha de Mérito Cultural.

No dia 7 de setembro de 2004, foi agraciado pela Câmara Municipal de Faro, com a Medalha de Mérito Municipal - Grau Ouro.

Maria Campina [1914-1984]

Maria Campina de Sousa Pereira nasceu em Loulé, em 18 de Janeiro de 1914. Esta pianista, uma das mais talentosas da Europa de todos os tempos, concluiu o seu curso superior de piano do Conservatório Nacional, onde foi aluna de grandes mestres, entre os quais os extraordinários maestros portugueses Varela Cid e Luís de Freitas Branco, em 1935, com a classificação de 20 valores. Enquanto frequentou aquele Conservatório, Maria Campina foi premiada com todos os galardões para os melhores alunos, incluindo o 1º prémio do Conservatório Nacional, nunca alcançado por qualquer outro aluno daquele estabelecimento de ensino. Estreou-se em Lisboa naquele mesmo ano, num concerto na Casa do Algarve e fez questão de que o segundo fosse dado na sua terra natal, pouco tempo depois, no dia 8 de Agosto. Todo o país fazia, então, questão em escutar aquela jovem e bonita pianista, louvando-lhe a capacidade interpretativa, a técnica e, especialmente, a sua extraordinária sensibilidade artística e emocional. Em 1939, com 25 anos, já casada, Maria Campina começou a leccionar como professora de piano num colégio de Lisboa. Vivia a pianista em Loures e, como nesses tempos, os automóveis eram um luxo de gente muito rica, Maria Campina tinha de se deslocar na sua pesada bicicleta a pedal. É nessa época que Maria Campina ganha consolidação da sua carreira.

 

A Emissora Nacional tinha dois serviços e a estação de “Lisboa 2”, com uma programação cultural e científica, emitia, diariamente, concertos de música clássica e ópera. Além disso, a estação tinha a sua própria Orquestra Sinfónica, de grande nível. Maria Campina não tinha mãos a medir, quer em récitas individuais, quer integrada ou como solista da Orquestra Sinfónica, que, tal como a outra orquestra da estação oficial, a Orquestra Ligeira, percorria o país de lés a lés, numa descentralização que hoje deixaria surpreendido o mais insistente defensor da cultura descentralizada. Mas a pianista não se limitava a dar vida às partituras dos grandes compositores, escrevia também para os jornais, proferia conferências, interessava-se pela vida cultural do país. Em 1949, Maria Campina decidiu participar num concurso internacional na Áustria, pátria de grandes músicos e intérpretes. No Mozarteum de Salzburgo, iria ombrear com quinze dos maiores pianistas mundiais do seu tempo. Interpretou obras de Mozart e de Johan Sebastian Bach e o júri, por unanimidade, o que raramente se voltou a repetir, declarou-a vencedora. É o reconhecimento internacional da grande dama do piano. Toda a Europa, América do Sul e África puderam, então, escutar a magia das suas interpretações.

 

Maria Campina criou, por essa altura, na Academia de Música do Funchal, a disciplina de Iniciação Musical, mostrando, deste modo, a sua sensibilidade pedagógica e visão para as carências educativas da escola, em Portugal. Já em Lisboa, alguns anos mais tarde, em 1962, a pianista algarvia abraçava convictamente a ideia da criação de um conservatório na região do Algarve, que outros antes haviam lançado mas a que, à boa maneira das nossas cabeças pensantes, ninguém pusera em prática. Durante dez anos, Maria Campina não esmoreceu, numa luta constante contra o imobilismo das instituições, a descrença dos poderes constituídos e a indiferença de quem tinha a obrigação de ser entusiasta e promotor. Em 1972, Maria Campina pôde, finalmente, ainda em casa emprestada, receber os primeiros alunos do «seu» Conservatório Regional do Algarve. Durante os doze anos que se seguiram, a pianista louletana pôde dar largas ao seu sonho, formando crianças e jovens algarvios. Cheia de paciência, a grande mestra que o mundo apreciara como intérprete musical, consagrou, então, a sua vida à tarefa de ensinar solfejo, de desenhar claves de sol, de colocar as mãos sobre o teclado, tocar as escalas e acordes, ou a encontrar a posição da coluna quando se está sentado perante um teclado. Galardoada, em 1979, com o grau de Comendador da Ordem de Instrução Pública, Maria Campina empenhava-se, então, com o seu marido, Pedro Ruivo, em conseguir apoios para a construção de uma escola de raiz, enquanto «fornadas» de jovens lhe iam passando pelas mãos delicadas. Maria Campina faleceu em 27 de Fevereiro de 1984 e seria o seu marido quem veria, finalmente, concretizado o seu sonho: o excelente edifício que alberga hoje o Conservatório Regional Maria Campina, de que todos os algarvios se podem orgulhar.


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